Choro de amigo

Eu sei que o meu mundo é cavernoso,

Cheio de inveja, ciume, indiferença,

Ou outro sentimento horroroso.

Mas, pelo menos, existia a tua presença.

Agora não dormes porque queres tudo sonhado,

Mas como distinguirás os sonhos se não queres dormir?

Deixas-me a nós, o teu amigo, preocupado

E aos outros, desconhecidos chocados, a sorrir.

Ontem saí a procurar-te, sabia-te em algum lado

Pois o mundo sempre foi nós e os outros,

Nós, um grupo sorridente mas revoltado,

E os outros, aparentemente adormecidos.

Agora?

Agora somos nós e tu.

Nós, tristes e inquetos,

Tu, a enterrares-te num buraco.

Julgas-te mais forte,

Mas sozinho tornas-te fraco.

Volta,

O nosso mundo sem ti é demasiado igual,

Dorme,

Vem sonhar para o lado racional.

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